O comércio e o setor de serviços do Espírito Santo devem abrir cerca de 5 mil vagas temporárias para reforçar as equipes durante as vendas de Natal e Ano Novo de 2026. As contratações, no entanto, esbarram na dificuldade de encontrar mão de obra, o que já leva empresas a reduzir as exigências na seleção de candidatos.
A estimativa é do vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin. Segundo ele, os empresários estão mais cautelosos diante das incertezas sobre a economia em 2027 e vêm adiando admissões. O desempenho do comércio, afirma, está entre a estabilidade e uma pequena retração em relação a 2025.
Ao mesmo tempo, a procura por trabalhadores cresce com o movimento de final de ano. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL Vitória), Rogério Alcantara, afirma que a dificuldade para preencher as vagas tem levado empresas a flexibilizar os critérios de contratação.
“Quando há exigência de segundo grau completo, por exemplo, já estão exigindo um primeiro grau incompleto. Existem vagas que exigem superior completo, mas agora pedem curso técnico”, diz.
Segundo Alcantara, há empresários que passaram a contratar candidatos mesmo sem toda a qualificação técnica exigida, desde que demonstrem características consideradas importantes para a função.
“Às vezes, ele não tem a competência técnica adequada, mas tem proatividade, e o empresário vai desenvolvendo as competências depois. Isso acaba gerando bastante oscilação nos contratados, um custo de tempo para treinamento e, se a pessoa não fica na vaga por um período longo, precisa fazer outro processo de contratação.”
No comércio, as principais oportunidades são para vendedor, estoquista e funções de apoio em crediário, financeiro e pagamentos. Nos serviços, há vagas para cozinheiro, garçom, copeiro e camareiro, entre outras funções. Alcantara diz ainda que as vagas temporárias são uma porta de entrada para quem busca o primeiro emprego.
“No varejo de modo geral, é muito comum que pessoas sem nenhuma experiência se candidatem e sejam contratadas. É uma porta para o primeiro emprego, pois é mais fácil desenvolver as competências”, afirma.
Mesmo que não seja o trabalho dos sonhos, uma carta de recomendação pode facilitar a conquista de uma vaga melhor, segundo o dirigente.
De olho no pós-eleição para reforçar a Black Friday
O primeiro impacto da falta de mão de obra já deve ser sentido durante as semanas de promoções da Black Friday, que acontecem no final de novembro. Com a baixa nas contratações tanto de efetivos quanto de temporários, dar conta do fluxo de clientes será uma tarefa difícil para os lojistas, afirma o empresário e presidente do Sindicato dos Lojistas de Cariacica, José Antônio Pupim.
“Se existe um fluxo muito grande na loja, sem pessoas suficientes muitas vezes não é possível dar a atenção que o cliente merece”, explica o representante.
Como alternativa, os empresários buscam atrair os temporários das campanhas políticas, que vão perder a função após as eleições.
“Neste momento, houve uma captação muito grande por parte de políticos e partidos para divulgar a campanha. Essas pessoas perdem o emprego daqui a algumas semanas. A gente espera ocupar o quadro de funcionários com essas pessoas”, comenta Pupim.
Os empresários, diz ele, apostam no incentivo à qualificação desses profissionais. “Quando bem treinado e com boa vontade, esse vendedor se torna uma potência”, afirma.
Cenário de pleno emprego vira desafio para lojistas
O cenário de pleno emprego é um desafio para completar as vagas temporárias neste final de ano, analisa o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Vâner Correa. Segundo ele, há uma demanda por produtos e serviços presente, mas o desemprego de 2,3% no Estado reduziu a quantidade de pessoas disponíveis e pode elevar o tempo e o custo de recrutamento.
“Assim, vagas abertas não significam, necessariamente, vagas preenchidas”, afirma.
Com esse cenário, lojas, restaurantes e outros comércios devem disputar os trabalhadores e atraí-los com bonificações e comissões por venda. O salário comercial, de R$ 1.650, geralmente é apenas o ponto de partida, podendo até triplicar, comenta o presidente do Sindilojas Cariacica, José Antônio Pupim.
“Com comissão, chegam a fazer R$ 4.600 em uma jornada de 44 horas semanais. Sem contar prêmios por atingir metas. Quanto melhor o desempenho do vendedor, melhor ele ganha”, diz.


