Em um movimento que reforça a estratégia de expansão do grupo, os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, desembarcaram no Quirguistão para participar de uma cúpula regional que contará com a presença do Irã. O encontro, que ocorre em um momento de tensões geopolíticas crescentes, tem como objetivo central ampliar a aliança global do bloco e consolidar uma frente comum entre as nações que desafiam a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos.
A reunião acontece no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que ganha contornos de plataforma para articulação política e de segurança. A presença do Irã, que recentemente ingressou como membro pleno do grupo, é vista como um sinal claro da intenção do bloco de incorporar novos atores e expandir sua influência sobre regiões estratégicas da Ásia e do Oriente Médio. A agenda deve priorizar discussões sobre segurança energética, rotas de comércio e uma postura coordenada em relação a sanções internacionais.
Eixo de contraponto ao Ocidente
Analistas internacionais apontam que o encontro de líderes em Bishkek, capital quirguiz, simboliza a consolidação de um eixo de contraponto ao Ocidente. A aproximação entre Pequim, Moscou e Teerã, que já vinha sendo construída nos últimos anos, agora se materializa em um fórum com mecanismos concretos de cooperação. Para os especialistas, a cúpula busca não apenas fortalecer laços bilaterais, mas também criar uma narrativa unificada sobre temas como a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a desdolarização do comércio global.
Em seu discurso de abertura, Xi Jinping defendeu uma "nova visão de segurança comum" e afirmou que o grupo deve atuar como um "estabilizador" em um mundo cada vez mais fragmentado. Putin, por sua vez, enfatizou a necessidade de construir uma "arquitetura de segurança eurasiana" que não dependa de estruturas ocidentais. O tom das falas, segundo observadores, foi de desafio direto às sanções econômicas impostas por Washington e Bruxelas, especialmente contra Moscou e Teerã.
Cooperação energética e rotas comerciais
Um dos pontos mais sensíveis da pauta é a criação de um corredor logístico que conecte o Golfo Pérsico ao Mar Cáspio e, posteriormente, à China, via Rússia. A iniciativa, que já é chamada de "Corredor do Meio", visa reduzir a dependência das rotas marítimas tradicionais, controladas por forças navais ocidentais. A expectativa é que os líderes assinem memorandos de entendimento para acelerar investimentos em infraestrutura ferroviária e portuária na região, com forte participação de capital chinês.
Além das questões econômicas, a cúpula deve abordar a situação no Afeganistão e a necessidade de combater o terrorismo e o tráfico de drogas na fronteira entre os países membros. A segurança regional é um tema caro ao Quirguistão, que sedia o encontro e busca se posicionar como um hub de diálogo entre as potências. Para o governo local, a realização do evento é uma vitória diplomática e uma oportunidade de atrair investimentos.
O encontro de Bishkek ocorre em um cenário de competição acirrada entre as grandes potências, onde cada movimento diplomático é calculado. A expectativa é que, ao final da cúpula, seja divulgada uma declaração conjunta com críticas ao "unilateralismo" e um apelo por uma "governança global mais justa e inclusiva", termos que, na prática, reforçam a tese de que o bloco busca se firmar como um polo de poder autônomo e alternativo.


